Domingo, 28 de Setembro de 2008

Poema da Semana: Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.

 

eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.

 

Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.

 

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

 

 

António Gedeão In Movimento Perpétuo, 1956 

 

(negrito meu :P)

publicado por ocheirodesantarem às 23:17
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Domingo, 14 de Setembro de 2008

Poema / Vídeo da Semana: Society

 

 

música de Eddie Vedder

letra de Jerry Hannan

 

Oh, it's a mystery to me
We have a greed with which we have agreed
And you think you have to want more than you need
Until you have it all you won't be free

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...

When you want more than you have
You think you need...
And when you think more than you want
Your thoughts begin to bleed
I think I need to find a bigger place
Because when you have more than you think
You need more space

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

There's those thinking, more-or-less, less is more
But if less is more, how you keeping score?
Means for every point you make, your level drops
Kinda like you're starting from the top
You can't do that...

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

Society, have mercy on me
Hope you're not angry if I disagree...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

publicado por ocheirodesantarem às 09:38
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Quarta-feira, 19 de Março de 2008

Poema da semana: Pedra Filosofal de António Gedeão

É sempre bom regressar aos clássicos. Neste dia do Pai deixo este poema como presente para o meu filho de 10 meses.

Pedra filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

publicado por ocheirodesantarem às 09:01
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Sábado, 8 de Março de 2008

Poema da semana: Oh Captain My Captain de Walt Whitman



A primeira vez que ouvi um excerto deste poema devia ter uns 13 ou 14 anos, durante uma aula de inglês, precisamente com o visionamento do filme "Dead Poet's Society" ou "O clube dos poetas mortos". Fiquei fã.

poema retirado do bartleby


O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done;
 
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won;  
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,  
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:  
    But O heart! heart! heart!          5
      O the bleeding drops of red,  
        Where on the deck my Captain lies,  
          Fallen cold and dead.  
  
2

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
 
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;   10
For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding;  
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;  
    Here Captain! dear father!  
      This arm beneath your head;  
        It is some dream that on the deck,   15
          You’ve fallen cold and dead.  
  
3

My Captain does not answer, his lips are pale and still;
 
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;  
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done;  
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;   20
    Exult, O shores, and ring, O bells!  
      But I, with mournful tread,  
        Walk the deck my Captain lies,  
          Fallen cold and dead.
publicado por ocheirodesantarem às 10:02
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Quinta-feira, 14 de Fevereiro de 2008

Poema da semana: Meu amor, meu amor, de José Carlos Ary dos Santos




Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.

Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

José Carlos Ary dos Santos

publicado por ocheirodesantarem às 15:28
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Segunda-feira, 28 de Janeiro de 2008

Poema da Semana - Na ilha por vezes habitada, de José Saramago

Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites, manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer. Então sabemos tudo do que foi e será. O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam. Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos. Com doçura. Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites. Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela. Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz. Cada um de nós é por enquanto a vida. Isso nos baste. José Saramago in OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. (o ano em que eu nasci).
música: livros antigos
publicado por ocheirodesantarem às 15:45
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Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2007

Poema da Semana, do mês e do ano: 20 de Pablo Neruda

sinto-me: por supuesto
música: ainda a Natal
publicado por ocheirodesantarem às 10:14
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Domingo, 25 de Novembro de 2007

Poema da semana: Nem sempre sou igual ao que digo e escrevo, por Alberto Caeiro

Nem sempre sou igual ao que digo e escrevo.

Mudo, mas não mudo muito.

A cor das flores não é a mesma ao sol

De que quando uma nuvem passa

Ou quando entra a noite

E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.

Por isso quando pareço não concordar comigo,

Reparem bem em mim:

Se estava virado para a direita,

Voltei-me agora para a esquerda,

Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés -

O mesmo sempre, graças ao céu e à terra

E aos meus olhos e ouvidos atentos

E à minha clara simplicidade de alma...

 

Alberto Caeiro

sinto-me:
música: lusco-fusco
publicado por ocheirodesantarem às 09:54
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Sábado, 3 de Novembro de 2007

Poema da Semana que por acaso até é uma música



Give me the sense to wonder
To wonder if Im free
Give me a sense of wonder
To know I can be me
Give me the strength to hold my head up
Spit back in their face
Dont need no key to unlock this door
Gonna break down the walls
Break out of this bad place

Can I play with madness
The prophet stared at his crystal ball
Can I play with madness
Theres no vision there at all
Can I play with madness
The prophet looked and he laughed at me
Can I play with madness
He said youre blind too blind to see

I screamed aloud to the old man
I said dont lie dont say you dont know
I say you pay for your mischief
In this world or the next
Oh and then he fixed me with a freezing glance
And the hellfires raged in his eyes
He said do you wanna know the truth son
Ill tell you the truth
Your souls gonna burn in a lake of fire

Can I play with madness
The prophet stared at his crystal ball
Can I play with madness
Theres no vision there at all
Can I play with madness
The prophet looked and he laughed at me
Can I play with madness
He said youre blind too blind to see

Can I play with madness
The prophet stared at his crystal ball
Can I play with madness
Theres no vision there at all
Can I play with madness
The prophet looked and he laughed at me
Can I play with madness
He said youre blind too blind to see

por Iron Maiden
música: bolas de cristal
publicado por ocheirodesantarem às 09:09
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Sábado, 13 de Outubro de 2007

Poema da Semana: Languidez, de Florbella Espanca

Languidez

Fecho as pálpebras roxas, quase pretas,
Que poisam sobre duas violetas,
Asas leves cansadas de voar...

E a minha boca tem uns beijos mudos...
E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
Traçam gestos de sonho pelo ar...

Florbella Espanca
publicado por ocheirodesantarem às 20:11
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