A Exposição "Interioridades: Desenho e Pintura de Mário Tropa", na localidade de Castelo, Concelho de Mação foi inaugurada no dia 3 de Maio.
Numa tarde de primavera, na calma da aldeia de Castelo, debaixo das fantásticas palmeiras da casa que acolhia os presentes foi inaugurada a exposição de Mário Tropa.
O Vereador da Cultura, José Almeida, começou por explicar que aquando do primeiro contacto de Mário Tropa com a Câmara Municipal de Mação para fazer a exposição não havia sala de exposições disponível porque está a ser remodelada. Mário Tropa disse-lhe, então, que poderia conseguir o espaço, mas seria na aldeia de Castelo. José Almeida achou “interessante a ideia de se fazer uma exposição numa aldeia”. Na sessão de inauguração, afirmou que “ainda não vi a exposição, nem conheço o espaço, mas acredito que vamos ter uma surpresa muito interessante”.
Antes de abrir a porta da “loja” da típica casa de aldeia Mário Tropa preparou os presentes para a exposição. Começou por explicar que “o primeiro desenho exposto tem 44 anos e mostra a diferença, permite perceber a evolução que se consegue com o tempo”. Mário Tropa explicou também o tema da exposição “interioridades” e explicou que escolheu “interioridades porque tem a ver com o Castelo mas também com a minha própria interioridade”. Aqui foi definido um conceito para a exposição no sentido de que na interioridade “é tudo pensado, são coisas construídas com memórias do que vivi, são fragmentos, são colagens”. Feita a introdução à sua arte Mário Tropa deixou o desafio, que faz a todos quantos vão visitar a exposição, de que “não levem os títulos muito a sério, descubram cada um de vós o que os quadros e desenhos representam”. Deixou ainda uma pista a esta descoberta e disse que “aquilo que parece não é e aquilo que é não parece”.
A porta da “loja”, ou “aloja” como diziam os antigos, foi então aberta e entrou-se no espaço atelier de Mário Tropa onde os seus quadros preenchem as paredes brancas e amplas e onde, num canto, permanece, como que parada no tempo, uma lareira de chão, antiga, desactivada e a inspirar, também ela, histórias e “interioridades”.
Os quadros, com as suas formas e cores, aqueles “fragmentos de memórias” traduzem as interioridades de Mário Tropa e, naquela casa, daquela aldeia, merecem ser visitados e descobertos apelando, quem sabe, à interioridade de cada um.
Num excerto de uma carta de Franz Kafka a Oskar Pollak escolhido por Mário Tropa para o catálogo da Exposição lê-se “Quando estás na minha frente e me olhas, que sabes tu dos sofrimentos que estão em mim, e que sei eu dos teus? E se me atirasse aos teus pés falando-te de mim, que mais saberias do que o que sabes do Inferno quando alguém te conta que é quente e terrível?”. É um apelo à descoberta de “Interioridades”.
A exposição, que representa um desafio e se descobre com prazer, pode ser visitada até dia 31 de Maio, na localidade de Castelo, aos sábados e domingos, das 15h às 19 horas.